A nova pesquisa Vox Populi, divulgada ontem, carrega uma sutiliza que é suficiente para produzir alterações no resultado final, mesmo que a comparação seja com outra pesquisa Vox Populi, divulgada na semana passada.
Para começar, a pesquisa reduziu o peso do eleitorado da Região Metropolitana de Curitiba na amostra do levantamento.
Sabidamente, é na RMC que o candidato do PSDB, Beto Richa, tem seu maior potencial eleitoral. De um total de 800 eleitores, a amostra do Vox de ontem ouviu somente 236 na RMC, ou seja, 29,5% do total, quando o peso demográfico correto da região é de 33,5%. São 32 entrevistas a menos, que representam 4% dos eleitores pesquisados. Se a amostra foi reduzida, é lícito supor que o resultado foi fraudado.
E esse resultado aponta uma redução da vantagem de Beto Richa sobre Osmar Dias, de nove pontos para cinco pontos, na comparação com a Vox Populi da semana passada.
E se o peso dos eleitores da Grande Curitiba foi reduzido, o dos pequenos municípios foi aumentado. Por exemplo, os municípios com até 25 mil eleitores representam 34% do eleitorado do Paraná, mas na pesquisa Vox o peso é de 36%. São pequenos movimentos que produzem as distorções que servem a uns e prejudicam outros. E nunca é demais lembrar que, embora o contratante da nova pesquisa seja a TV Band, o instituto fechou um contrato para fornecer 10 pesquisas para uso interno da campanha de Osmar Dias.
Outro detalhe: o novo levantamento foi feito entre os dias 17 e 20 de julho. O anterior, feito a pedido do jornal O Estado do Paraná, era de 14 a 17 de julho. Portanto, os pesquisadores do Vox nem saíram de campo. Continuaram o trabalho…
Por: Fabio Campana - http://www.fabiocampana.com.br
29 de jul. de 2010
28 de jul. de 2010
ÓPERA DOS MALANDROS
Por Augusto Nunes
1989. Lula e Collor estão num estúdio de televisão, em bancadas próximas. Há um apresentador entre eles. O cenário informa que se trata de um debate eleitoral)
Lula: Meu adversário representa a elite exploradora. É moço na aparência, mas representa o Brasil antigo, o Brasil velho, o Brasil que precisa acabar.
Collor: O outro candidato defende abertamente a luta armada, a invasão de casas e apartamentos. (Vira-se para Lula). Você é um cambalacheiro. Fez cambalacho com o Sarney.
Lula: O Sarney é um incompetente, incapaz. Mas se quiser pode votar em mim. (Vira-se para Collor). Você também pode. Mas mesmo assim eu não teria nada de parecido com você.
Collor: Você não saba a diferença entre uma duplicata e uma fatura. É um ignorante.
(1989. Lula está sozinho num estúdio de TV. O cenário mostra que se trata do programa eleitoral do PT)
Lula: Meu adversário é o candidato dos corruptos. Ele representa a elite que sempre explorou os pobres do Brasil.
Sar
(1989. Collor está sozinho num estúdio de TV. O cenário mostra que se trata do programa eleitoral do PRN)
Collor: Não sou eu quem diz que Lula quis forçar o aborto. Quem diz é Miriam Cordeiro, mãe da Lurian.
(1992. Lula está num estúdio de rádio ao lado de um jornalista. O jornalista pergunta se tem pena de Collor. O entrevistado responde com voz pausada)
Lula: Tenho pena do Collor. Não é que eu tenho pena. Como ser humano eu acho que uma pessoa que teve uma oportunidade que aquele cidadão teve de fazer alguma coisa de bem para o Brasil, um homem que tinha respaldo da grande maioria do povo brasileiro, ou seja. E ao invés de construir um governo, construir uma quadrilha como ele construiu, me dá pena, porque deve haver qualquer sintoma de debilidade no funcionamento do cérebro do Collor. Efetivamente eu fico com pena, porque eu acho que o povo brasileiro esperava que essa pessoa pudesse pelo menos conduzir o país, se não a uma solução definitiva, pelo menos a indícios de soluções para os velhos problemas que nós vivemos. Lamentavelmente a ganância, a vontade de roubar, a vontade de praticar corrupção, fez com que o Collor jogasse o sonho de milhões e milhões de brasileiros por terra. Mas de qualquer forma eu acho que foi uma grande lição que o povo brasileiro aprendeu e eu espero que o povo brasileiro, em outras eleições, escolha pessoas que pelo menos eles conheçam o passado político”.
(2005. Collor está numa sala de sua casa em Maceió, ao lado de um jornalista)
Collor: O mensalão mostrou quem são os corruptos, os ladrões do país. Eles hoje estão no governo. O Lula é o chefe.
(2007. Lula está cercado de jornalistas numa sala grande no Palácio do Planalto)
Lula: O senador Fernando Collor tem tudo para fazer um grande mandato.
(2009. Claramente irritado, Collor está na tribuna do Senado)
Collor: Nenhum ataque ao ao presidente Lula ficará sem resposta!
(2009. Lula e Collor estão juntos num palanque em Alagoas)
Lula: Tenho de agradecer o companheiro Fernando Collor pelo bom trabalho que está fazendo.
(2010. Num palanque em Maceió, Lula, Collor e Dilma Rousseff estão de mãos dadas, dançando e cantando, em coro com a plateia, o refrão do jingle da campanha do candidato a governador de Alagoas)
Todos: É Lula apoiando Collor,/é Collor apoiando Dilma/pelos mais carentes./É Lula apoiando Dilma,/é Dilma apoiando Collor/para o bem da nossa gente.
Vinte anos depois da cena inicial, Collor ajuda Lula a tentar eleger a sucessora e Lula ajuda Collor a reiniciar a aventura que resultou, entre outras obscenidades, no confisco da poupança, na roubalheira medonha e no despejo vergonhoso. A ausência de valores morais e princípios éticos é o traço comum que permitiu a dois sessentões descobrirem só agora que foram amigos de infância. A Ópera dos Malandros encontrou a apoteose mais que perfeita.
1989. Lula e Collor estão num estúdio de televisão, em bancadas próximas. Há um apresentador entre eles. O cenário informa que se trata de um debate eleitoral)
Lula: Meu adversário representa a elite exploradora. É moço na aparência, mas representa o Brasil antigo, o Brasil velho, o Brasil que precisa acabar.
Collor: O outro candidato defende abertamente a luta armada, a invasão de casas e apartamentos. (Vira-se para Lula). Você é um cambalacheiro. Fez cambalacho com o Sarney.
Lula: O Sarney é um incompetente, incapaz. Mas se quiser pode votar em mim. (Vira-se para Collor). Você também pode. Mas mesmo assim eu não teria nada de parecido com você.
Collor: Você não saba a diferença entre uma duplicata e uma fatura. É um ignorante.
(1989. Lula está sozinho num estúdio de TV. O cenário mostra que se trata do programa eleitoral do PT)
Lula: Meu adversário é o candidato dos corruptos. Ele representa a elite que sempre explorou os pobres do Brasil.
Sar
(1989. Collor está sozinho num estúdio de TV. O cenário mostra que se trata do programa eleitoral do PRN)
Collor: Não sou eu quem diz que Lula quis forçar o aborto. Quem diz é Miriam Cordeiro, mãe da Lurian.
(1992. Lula está num estúdio de rádio ao lado de um jornalista. O jornalista pergunta se tem pena de Collor. O entrevistado responde com voz pausada)
Lula: Tenho pena do Collor. Não é que eu tenho pena. Como ser humano eu acho que uma pessoa que teve uma oportunidade que aquele cidadão teve de fazer alguma coisa de bem para o Brasil, um homem que tinha respaldo da grande maioria do povo brasileiro, ou seja. E ao invés de construir um governo, construir uma quadrilha como ele construiu, me dá pena, porque deve haver qualquer sintoma de debilidade no funcionamento do cérebro do Collor. Efetivamente eu fico com pena, porque eu acho que o povo brasileiro esperava que essa pessoa pudesse pelo menos conduzir o país, se não a uma solução definitiva, pelo menos a indícios de soluções para os velhos problemas que nós vivemos. Lamentavelmente a ganância, a vontade de roubar, a vontade de praticar corrupção, fez com que o Collor jogasse o sonho de milhões e milhões de brasileiros por terra. Mas de qualquer forma eu acho que foi uma grande lição que o povo brasileiro aprendeu e eu espero que o povo brasileiro, em outras eleições, escolha pessoas que pelo menos eles conheçam o passado político”.
(2005. Collor está numa sala de sua casa em Maceió, ao lado de um jornalista)
Collor: O mensalão mostrou quem são os corruptos, os ladrões do país. Eles hoje estão no governo. O Lula é o chefe.
(2007. Lula está cercado de jornalistas numa sala grande no Palácio do Planalto)
Lula: O senador Fernando Collor tem tudo para fazer um grande mandato.
(2009. Claramente irritado, Collor está na tribuna do Senado)
Collor: Nenhum ataque ao ao presidente Lula ficará sem resposta!
(2009. Lula e Collor estão juntos num palanque em Alagoas)
Lula: Tenho de agradecer o companheiro Fernando Collor pelo bom trabalho que está fazendo.
(2010. Num palanque em Maceió, Lula, Collor e Dilma Rousseff estão de mãos dadas, dançando e cantando, em coro com a plateia, o refrão do jingle da campanha do candidato a governador de Alagoas)
Todos: É Lula apoiando Collor,/é Collor apoiando Dilma/pelos mais carentes./É Lula apoiando Dilma,/é Dilma apoiando Collor/para o bem da nossa gente.
Vinte anos depois da cena inicial, Collor ajuda Lula a tentar eleger a sucessora e Lula ajuda Collor a reiniciar a aventura que resultou, entre outras obscenidades, no confisco da poupança, na roubalheira medonha e no despejo vergonhoso. A ausência de valores morais e princípios éticos é o traço comum que permitiu a dois sessentões descobrirem só agora que foram amigos de infância. A Ópera dos Malandros encontrou a apoteose mais que perfeita.
26 de jul. de 2010
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